Adolescentes com câncer celebram a vida em festa de 15 anos

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Domingo, 26 de agosto de 2018. A noite começava a surgir quando exibindo sorrisos largos e com passos ansiosos, meninos e meninas atravessaram o portão da Usina Dois Irmãos, no bairro de Dois Irmãos. Um grupo misturado, composto por 34 adolescentes de diferentes lugares e com histórias distintas para contar, mas todas elas com um capítulo em comum: a luta contra um câncer. Aos pares, eles ouviram seus nomes e entraram no salão do espaço, sob aplausos, rumo ao que foi muito mais do que um Baile de Debutantes.

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(Foto: Tião Siqueira)

Há poucos meses, Lívia Oliveira, 18 anos, recebeu a notícia de que, finalmente, seu tratamento contra um linfoma havia chegado ao fim. A felicidade da jovem se multiplicou quando, no mesmo mês, recebeu um telefonema de uma assistente social do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) com o inesperado convite para ser uma das participantes do Baile de Debutantes. “Eu sou muito grata, porque passar por um tratamento oncológico é muito difícil e essa festa, para mim, foi realmente como um presente. Serviu como um estímulo para que nós tivéssemos ainda mais vontade de ficar bem”, contou.

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Franklin Pimentel e Lívia Oliveira (Foto: Tião Siqueira)

Já a adolescente Luana Silva, 17 anos, ficou feliz ao reencontrar tantos familiares de Betânia, sua cidade natal. A jovem, que segue em tratamento contra um câncer de ovário no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), se sentiu deslumbrada com a festa, inimaginável para ela, filha de um agricultor e de uma dona de casa. “Está tudo sensacional. Eu agradeço aos voluntários porque isso é um verdadeiro sonho”, disse. “Em meio a tanta dificuldade, recebemos tanto carinho de todos. Eu me sinto muito acolhido”, completou Franklin Pimentel, 17 anos. 

Idealizado pela Rede Feminina de Combate ao Câncer, movimento de voluntários que atua no HCP, o terceiro Baile de Debutantes reuniu cerca de 500 pessoas – familiares, amigos, voluntários – para comemorar a vida desses adolescentes, que estão em tratamento no próprio HCP, no HUOC e no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP). Para garantir que a festa tivesse bolo, valsa, doces, mesa farta e muita música, fornecedores se aliaram para organizar o evento, que se transformaria em um momento mágico, de verdadeira celebração. E assim foi feito.

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Entre eles estava o estilista Albérico Ribeiro, responsável pelo desenho e pela confecção dos vestidos das meninas e por fornecer a roupa completa dos meninos. A cor escolhida para os trajes – verde Tiffany – foi uma forma de trazer uma mensagem de esperança para as adolescentes. “Toda vez que eu participar, eu quero ter condições de dar o vestido para cada uma dessas garotas. Isso irá servir como lembrança dessa noite. Eu me sinto mais feliz do que se tivesse recebido dinheiro por todos eles, porque vê-las felizes é uma recompensa que vem do coração”, disse. 

BASTIDORES

A iniciativa do Baile de Debutantes nasceu com Joselane Paiva, voluntária que atua no HCP há mais de 20 anos e que sempre realizou festas para os pacientes da ala pediátrica. Conhecida como tia Jô, é ela quem corre atrás dos parceiros para que o sonho dos adolescentes, que ela conhece de perto, possa ser realizado. “Tem sido muito satisfatório e, esse ano, conseguimos realizar uma festa grande, para 500 convidados. Nós, que somos voluntários, trabalhamos e muito”, disse. 

Mas a verdade é que, por trás de toda a magia da festa, um verdadeiro batalhão de voluntários também se esforçou para que todos os pacientes estivessem bem para aproveitar a noite tão esperada e para que as famílias pudessem estar presentes. Para isso, foram realizados bazares com vestidos de festa doados, venda de lanches, rifas e até captação de recursos com parceiros. “Compramos suplementos especiais, providenciamos transporte e estadia para os familiares que vêm de longe. São muitas coisas que estão envolvidas neste processo e precisamos ajudar para que isso tudo aconteça”, explicou Maria da Paz, presidente da Rede Feminina.

A ideia, segundo Maria da Paz, é que, no fim das contas, todos os adolescentes se sintam felizes e mais fortes para continuar o tratamento. “Fica a sensação de dever cumprido e melhor do que esse sentimento é ver a realidade desses adolescentes alcançando aquilo que esperamos, que é que eles estejam bem. Queremos que eles retomem a rotina, voltem a estudar, a trabalhar. Queremos ver que tudo isso valeu a pena”, finalizou.

 

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