EXPERIÊNCIA NO TRATAMENTO COM DENOSUMAB EM TUMOR DE CÉLULAS GIGANTES EM SERVIÇO PÚBLICO DE PERNAMBUCO

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Data 22/05/2026
Ano da publicação 2021
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Palavras-chave
Tumores de Células Gigantes denosumabe downstaging cirúrgico

Resumo

INTRODUÇÃO: O tumor ósseo de células gigantes (TCG) é incomum, tumor osteolítico primário que afeta tipicamente as epífises de ossos longos de adultos de 20 a 40 anos. Corresponde a 5% dos tumores ósseos.1 Geralmente tratado como um tumor ósseo localmente destrutivo que causa dor, limitação do movimento e função e corre o risco de lesões intra-articulares e fratura patológica.2 O tratamento permanece controverso. As opções cirúrgicas incluem cirurgia intralesional ou extensa. A Curetagem, preserva a função articular, mas tem maior recorrência enquanto a ressecção com margens amplas minimiza a recorrência, mas tem piores resultados funcionais.3 Estudos clínicos recentes sugeriram que o denosumab – um anticorpo monoclonal que se liga ao RANKL, está associado à resposta do tumor e redução da morbidade cirúrgica em pacientes com TCG. Também foi relatado que o denosumabe resultou em benefícios cirúrgicos de downstaging.3 OBJETIVO: Avaliar o perfil clínico-epidemiológico dos portadores de tumor de células gigantes e avaliação de recidiva de doença e resposta patológica nos pacientes que fizeram uso de denosumab atendidos no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), no período de Janeiro 2005 a fevereiro de 2020. METODOLOGIA: Estudo retrospectivo transversal com análise de prontuários de 50 pacientes que tiveram diagnóstico confirmado de tumor de células gigantes de quaisquer sítio primário. Tendo realizado alguma modalidade de tratamento oncológico no HCP, no período de Janeiro 2005 a fevereiro de 2020. Os dados foram coletados a partir dos prontuários hospitalares. Informações a respeito do perfil clínico-epidemiológico dos pacientes deveriam estar descritas, tais como: idade, sexo, tipo histológico do câncer, tipo de tratamento realizado (cirurgia, quimioterapia), toxicidades, controle de sintomas e resposta ao tratamento oncológico. RESULTADOS: Foram estudados 50 pacientes com TCG de 2005 a fevereiro de 2020, no Hospital de Câncer de Pernambuco-BR. Destes, 56% estavam na faixa etária de 21-40 anos e prevalência feminina, 31 (62%). A maioria (72%) tem classificação Campanacci III, e com localização no fêmur (40%) e tíbia (22%), porém com acometimentos raros no tálus e órbita. Ocorreram metástase em 6%, em pulmão e ossos. 56% realizaram cirurgia intralesional (curetagem/colocação de cimento ósseo) e 26% cirurgia óssea extensa (em bloco/endoprótese) em algum momento do tratamento. Sequelas motoras em 12,5% dos pacientes que operaram e fizeram denosumab, com melhora na qualidade de vida e redução da dor. Destes pacientes, 40 utilizaram denosumab, sendo 28 pacientes com doença localmente avançada e 12 com doença irressecável ou metastática. Média de 10 doses da medicação, na posologia de 120mg no D1, D8 e D15 como dose de ataque e posterior manutenção com 120mg mensal. Tendo um ótimo perfil de segurança da droga, sem relatos de toxicidades graves grau 3 ou 4. Neste grupo, 75% realizaram biópsia após denosumab e 63% deles tiveram resposta patológica completa. Dos pacientes com ausência de neoplasia pós-denosumab, 26% tiveram recidiva após medicação e procedimento cirúrgico. Dos pacientes com doença ressecável e pós-denosumab, 25 realizaram cirurgia intralesional e 3 só realizaram cirurgia óssea em bloco ou endoprótese. Após uso de denosumab, 22% tiveram recidiva da doença. Já nos com doença local avançada que fizeram denosumabe e cirurgia intralesional, 32% tiveram recidiva. CONCLUSÃO: Concluímos que o tratamento com desonumab no TCG apresenta bons resultados e futuro promissor na prática clínica, já que alcançamos downstaging cirúrgico e uma taxa de recidiva tolerável, fornecendo um tratamento menos agressivo, com maior preservação articular e com menos possibilidade de sequela física ou morbidade, tendo ainda um ótimo perfil de segurança da droga.

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  • TCR- Gabriela Monte Tenório Taveira