CENÁRIO DA RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO, NO PERÍODO DE JANEIRO DE 2019 A JANEIRO DE 2023
Autores
Data
28/05/2026
Ano da publicação
2023
Categorias
Palavras-chave
mastectomia
mastectomia radical
câncer de mama
reconstrução mamária
SUS
DATASUS
Resumo
O Câncer de mama é o mais incidente na população mundial, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma, sendo o mais frequente e o que apresenta maior taxa de mortalidade, na população feminina, conforme dados do Globocan 2020. No Brasil, o INCA estima 73.610 novos casos de câncer de mama em mulheres para o triênio 2023-2025, com um total de 18139 óbitos, publicados em 2021. Existem várias modalidades de tratamento para o câncer de mama, dentre elas, a mastectomia que é a retirada de toda a glândula mamária, causando problemas de autoimagem, autoestima e de relacionamento da mulher consigo mesma e com o mundo. Atualmente, várias técnicas de reconstrução mamária são amplamente difundidas como forma de oferecer a essas mulheres tratamento mais humanizado e confortável, no entanto, nem todas as pacientes conseguem ter acesso a essa modalidade de tratamento, principalmente na saúde pública no Brasil. Objetivo: o presente estudo avaliou o número de cirurgias reconstrutivas da mama realizadas no SUS, no período de Janeiro de 2019 a Janeiro de 2023, fazendo uma análise comparativa entre as mastectomias e reconstruções mamárias realizadas no mesmo período, além de observar o impacto da pandemia do COVID-19 numa possível redução no número de cirurgias reconstrutivas da mama no SUS após o ano de 2020. Metodologia: estudo retrospectivo, transversal e descritivo de registros disponíveis de Centros de Saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde, incluindo coleta de dados referentes ao número de mastectomias e cirurgias de mama reconstrutivas realizadas no Brasil. Os dados foram extraídos do DATASUS. Resultados: no período observado foram registradas 13.609 cirurgias de reconstrução mamária após mastectomia com implantes mamários; 59.325 cirurgias plásticas de mama feminina não estética e 54 plásticas mamárias reconstrutivas bilaterais incluindo prótese mamária de silicone bilateral e silicone. Houve também a realização de 288.599 mastectomias radicais com linfadenectomia axilar em oncologia; 24.591 mastectomias radicais com linfadenectomia, 50.524 mastectomias simples em oncologia; 17.119 mastectomias simples. Portanto, encontramos um total de 380.833 cirurgias oncológicas radicais da mama. Quando levamos em consideração o ano de realização dos procedimentos, percebemos uma tendência um menor número de cirurgias entre os anos de 2020 e 2021, podendo estar relacionado ao período da pandemia pelo COVID -19. Em 2019 foram realizadas 103.802 cirurgias radicais da mama com 20.312 cirurgias reconstrutivas no total, enquanto que nos anos de 2020 e 2021, foram realizadas 89.958 e 86.085 mastectomias, com 13.730 e 15.389 cirurgias reconstrutivas, respectivamente. Conclusão: nós encontramos uma taxa de 19% de cirurgias reconstrutivas em relação às cirurgias radicais para o câncer de mama, o que corrobora com dados da literatura nacional. Acreditamos que uma melhor formação dos cirurgiões que prestam assistência no SUS, bem como uma melhor subdivisão das equipes médicas, formando grupos responsáveis apenas pelas cirurgias reconstrutivas, possa aumentar o número das reconstruções imediatas, sem prejudicar o tratamento dos casos menos agressivos com cirurgias de menor complexidade.
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